O Jornal Mural é um projecto de intervenção urbana, que visa incluir de forma fraca várias figuras da cultura na cidade, criando uma situação e/ou uma interpelação junto do espectador que neste caso é a população da cidade de Lisboa.
Reutilizando como forma os dazibao chineses ou os jornais murais do tempo do PREC, a introdução, não de forma massiva, de várias figuras importantes para a cultura que fazemos hoje é ao mesmo tempo um gesto poético e fraco. O objecto único aplicado na cidade como quantidade certa , na intervenção, que carrega um conjunto de pressupostos que se torna discursiva per se.
Não há nada de mais belo que a sua aparição fugaz, uma notícia sobre algo que passou mas que ninguém viu, ou que viu mas que perdeu uma parte maior.
E depois o absurdo de tal gesto, um documento único esmagado pelo monopólio de cartazes das raves e festivais.
Resta ainda ponderar o trabalho político que é o de conseguir tempo ao espectador e desviá-lo, fazendo um corte ou desligando-o por um momento da teia capitalista em que vivemos. O capital que temos, oferecemos. É um capital intelectual, e como comunidade activa, partilhamos este conhecimento com o outro, pois o conhecimento vem do Universal e nós temos como ambição partilhar com o outro de form a devolvê-lo a esse universal. Claro que isto implica escrever da forma como cada um achar mais apropriada, não sendo necessário qualquer tipo de paternalismo,no que diz respeito ao texto e conteúdo.
O vídeo que se segue mostra as qualidades estéticas ou a forma como as diversas folhas serão feitas e aplicadas pela cidade.
Os textos serão paginados graficamente e transferidos manualmente para folhas de papel de grandes dimensões. As imagens serão ampliadas e impressas a preto e branco em impressão tipo Xerox e coladas sobre o papel.
O tamanho de cada página é A 0 e segue a estrutura gráfica (Tipo de letra Times New Roman, título a bold itálico corpo 16 e duas colunas de texto com tamanho de letra 12).
Um pequeno grupo de artistas (alguns de vós) realizarão colectivamente os cartazes.
Uma outra equipa (que contará com pessoas a filmar e fotografar) fará a aplicação pelas ruas da cidade uma vez por semana nas quatro semanas de Maio.
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